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Vivemos em tempos de liberdade de expressão por palavras, argumentos, ideologias e posturas. Também as autoridades religiosas têm suas opiniões, posturas e convicções pessoais para além das orientações e doutrinas de suas respectivas igrejas. Por outro lado as redes sociais se tornaram vitrines onde as pessoas se encorajam para expressar o que pessoalmente, talvez, não tivessem coragem.

Recentemente um fato me chamou a atenção: a indignação de uma pessoa, feita devido a uma fala que não a agradou, exposta em uma rede social. (Não vejo problema algum nisso, porque a rede social é pessoal e ao mesmo tempo pública).

Não devemos mesmo concordar com tudo o que se é dito, mas quero que reflitamos a partir destes pontos: Será que é necessário manifestar uma indignação em uma rede social? Estou fazendo isso para aparecer ou manifestar minha indignação contra a instituição a qual pertenço e me escondo atrás de um fato para atacá-la? Para mim o problema está nas consequências que são geradas e os desgastes que acontecem, expondo a instituição a qual digo que pertenço. Mas será que pertenço mesmo? Pois se pertenço eu defendo e não faço o contrário, mesmo não concordando com algumas atitudes que são ditas ou tomadas. Se eu não concordo com algo não é necessário que eu exponha a minha indignação em uma rede social. Não é o caso de dialogar, fazendo uma correção fraterna ou apontar que podem haver outros pontos de vista?

O ruim é que a crítica nunca chega a pessoa a qual é destinada, ou as pessoas que possam dar alguma explicação sobre determinado fato. Seria melhor se houvesse um diálogo em que a pessoa exponha a sua indignação, e através daquele diálogo colocar um fim no determinado fato, ao invés de ficar querendo ganhar “curtidas” ou quanto mais comentários melhor. Não é o nome da pessoa que fez a postagem que fica exposta, mas o nome da instituição, e aí surge um espaço para a propagação do ódio e das chamadas “Fake News”. Muitos aproveitam deste espaço para fazer dele um palanque e achar que o seu ponto de vista é o certo e o outro é errado.

Em mensagem para o dia da comunicação 2018, o Papa Francisco disse: “ A eficácia das Fake News fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas, mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos”.

Agora, por outro lado porque não usar destes meios de comunicação sociais para a Evangelização? Vivemos em uma sociedade marcada por tantos sofrimentos que exige, de nós cristãos, que sejamos sinais visíveis de esperança para muitos que já estão desacreditados, principalmente neste ano do laicato, em que a Igreja do Brasil espera um legado dos leigos e leigos para que com maior entusiasmo, inseridos na vida eclesial possam atuar na busca da transformação da sociedade, sendo “verdadeiros sujeitos eclesiais” (DAp, n. 497a), como sal, luz e fermento na Igreja e na Sociedade. Busquemos ser comunicadores da paz e não propagadores da violência ou do ódio.

Referências:

DOCUMENTO DE APARECIDA: Texto conclusivo da V Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Edições CNBB, Paulinas, Paulus. 2007.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O LII DIAS MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS. <https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html.> Acesso em: 24 set. 2019.

Seminarista Willian Moreira – 1º ano de Teologia

Colaboração Padre Francisco Guerra

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