Espírito Santo: mestre do amor
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"Eu sou o pão vivo que desceu do céu." (Jo 6,51a).

         Não poderia haverm maior paradoxo do que a vinda de Cristo ao mundo. Como os homens haverão de compreender que o Deus infinito se fez finito? E que o que está acima do tempo e do espaço, coube no mesmo tempo e espaço? E, como se já não bastasse esse embaraço, Cristo veio e disse que era o pão vivo do céu. Ora, mas se um pão é vivo não é pão. E se um homem é pão não é homem. Mas eis o grande acerto de Cristo nas palavras: pois, na Eucaristia, não é ele nem pão nem homem, mas pão e homem ao mesmo tempo. Eis a grande loucura que pregamos aqui.

          “Eu sou o pão vivo [...]”. Para compreender doutrina tão além de nossa capacidade, necessários nos são argumentos e milagres: argumentos para prová-la e milagres para confirmá-la. Por isso se diz, sobre Cristo, que: "Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria” (1 Cor 1,22). Veja então como Deus prova essa verdade. Quanto à sabedoria, é conveniente provar que o pão pode deixar de ser pão e se unir ao corpo humano. Desse modo, é exatamente isso que ocorre com o pão natural que alimenta o homem, pois deixa de ser pão e se transforma noutra substância que é absorvida pelo corpo do homem. E se isso ocorre no natural, porque não também no sobrenatural? Bendita seja a sabedoria de Deus que desde o início já havia escrito em nossos corpos o que haveria de acontecer em nossas almas. Quanto aos milagres, são convenientes para se mostrar que Cristo tem poder sobre a matéria do pão e sobre a do seu corpo. Ora, Jesus pôde multiplicar os pães (Jo 6,1-15) e andar sobre as águas (Jo 6,16-21), logo tem poder sobre ambos. E se tem poder sobre ambos, tem também o poder de fazer do pão, seu Corpo e, portanto, é verdadeiro pão vivo.

         Além de ser pão vivo, é ainda pão “[...] que desceu do céu”. Do dito anterior, parece que Deus provou a doutrina ensinada da melhor forma possível. Contudo, se é pão que desceu do céu, é infinito e não cabe na mente humana, isto é, um paradoxo. Por esse motivo, São Paulo continua na mesma frase supracitada: "mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1 Cor 1,23). Assim, melhor do que provar provando, Deus prova não provando. Em outras palavras, a melhor prova de que Cristo Eucarístico é algo sobrenatural, é o fato de que não se explica de modo natural. Nesse sentido a cruz de Cristo foi a grande retórica de Deus. Que haja um Deus que transcenda ao tempo há de se compreender, mas que ao mesmo tempo, se submete ao tempo? Que o Deus que dá a vida e a morte, tenha morrido? Pior. Que o Deus onipotente pareceu impotente? Isso é loucura e paradoxo mas a cruz é exatamente a grande prova.

         Se o divino pôde se fazer corpo, Ele também pode fazer o corpo, divino. Se o Deus eterno pôde se sacrificar uma vez na cruz, também pode se sacrificar diariamente na Eucaristia. Se pôde se rebaixar a homem, também pode se rebaixar ainda mais a pão. Oh, excelsa sabedoria que confunde os sábios! Não só provou com sabedoria, mas com sabedoria tão elevada que mente humana alguma compreende. Não só provou com milagre, mas com mistério, algo que ultrapassa todo milagre. Oh, sim! O Cristo Eucarístico é verdadeiramente Deus. Portanto, nesse Corpus Christi, lhe adoremos e lhe rendamos graças. Especialmente, pela mercê de nos amar a tal ponto de não resistir a estar conosco todos os dias. Que também nós tenhamos esse mesmo ímpeto de não resistirmos a amá-lo todos os dias: desde agora e por toda a eternidade.


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Pedro de Paula Ferreira

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