Pregação e diaconia
14/10/2021

“A minha alma engrandece ao Senhor.” (Lc 1, 46b)

Neste dia de Nossa Senhora Aparecida, muitos louvores poderíamos ofertar à padroeira do Brasil mas não haveria nada que a alegraria mais do que, junto a ela, engrandecermos a Deus. Contudo um grande desafio se nos apresenta: como engrandecermos ao Senhor com a alma, tal como ela fez, se toda oração é feita com o corpo? Que alguém louve a Deus com os lábios vai bem compreendido, motivo pelo qual se diz: “Em coros louvem o seu nome […]” (SL 149,3). Ou ainda que se O louve com o resto do corpo também é aceitável, e, por isso, se declara: “Louvai-O com tímpanos e danças […]” (Sl 150,4). Porém como é possível que uma pessoa O louve, não com os lábios ou com o corpo, mas com a alma? A isso respondemos que o louvor com a alma não só é possível, mas é o único verdadeiro, donde diz o profeta: “Esse povo vem a mim e me honra só com os lábios, enquanto seu coração está longe de mim […]” (Is 29,15).

Nossa Senhora é o perfeito exemplo deste verdadeiro louvor pois está tão intimamente conectada a Deus que, antes de seu corpo proclamar qualquer palavra, seu espírito já se deleita numa eterna contemplação da Palavra.  Enquanto nossos olhos captam as imagens de Cristo, os olhos de Maria são tão penetrantes que saltariam de suas órbitas se já não estivessem presos na gravitação do Sol da justiça (Ml 4,2). Isso porque ela não olha com os olhos do corpo mas com os da alma. Do mesmo modo, enquanto nossa boca clama para que Deus nos escute, a virginal boca da Imaculada estando imóvel, num grito silencioso, proclama as maravilhas de Deus. Oh, Virgem do silêncio tão bendita! Tua boca proclamou a providência divina nas bodas de Caná (Jo 2,1), mas foi tua alma que nela se abandonou no silêncio da dor (Jo 19,25). Nesse sentido diz o evangelista “Mas Maria guardava todas essas coisas, meditava-as em seu coração.” (Lc 2,19). Assim, diz que guardava, porque no coração, isto é, no interior da alma, a experiência de Deus é guardada a sete chaves e o louvor é imortalizado pois a própria alma se transforma num louvor de glória como diria Santa Elisabeth da Trindade.

Diante disso, percebemos que nada poderíamos dizer para louvar a Rainha do Brasil e da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano neste dia. Qualquer louvor que escorresse de nossos lábios seria efêmero pois, mal a primeira sílaba saltasse de nossas bocas, tão logo já surgiria a última. Mas começássemos a dizer algo num segundo, noutro a palavra seria carregada pelos ventos. Tendo em vista isso, o que podemos ofertar é o louvor com a alma. Nesse sentido, no dia doze deste mês, nós, do Seminário Diocesano, celebramos a solenidade de Nossa Senhora Aparecida que foi presidida pela padre Rafael da paróquia São José da lagoa de Nova Era. Com essa oportunidade, ao invés de nos apegarmos às palavras de louvor, nos unimos pelo espírito à eterna Palavra para louvar Nossa Senhora. E para louvar a Deus, nos unimos a Maria na contemplação do sacrifício eterno de Cristo. Bendita seja a grande mãe de Deus pelo exemplo e cuidado! Viva a Nossa Senhora Aparecida!

Seminarista Wellington Rosa, 3° ano de Filosofia.


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Pedro de Paula Ferreira

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